Incluída numa ópera de Jean-Baptiste Lully em 1673, rapidamente ganhou a corte de Luis XIV, e com ela a sociedade europeia, chegando a se tornar a rainha das danças nos palácios e palcos, do barroco a fins do século XIX.
Como forma de dança, é essencialmente cortesã como foram as também barrocas giga e sarabanda. Do ponto de vista musical, sua importância histórica advém do fato de ter sido a única forma usada não apenas nas suítes do barroco, mas em sinfonias e outras grandes obras instrumentais. Adorada pela nobreza afeita ao mecenato, tornou-se hábito entre os compositores da música de concerto da época, incluir minuetos em suas sinfonias e peças da música de câmara.
Entre os grandes nomes, Haydn foi o primeiro a usá-lo numa sinfonia. Em suas sonatas, o minueto passou a substituir o movimento mais lento. Ao contrário do costume da época, Haydn os compôs em andamento mais rápido - numa espécie de antecipação a Beethoven, que mais tarde veio a transformar o minueto em scherzo: um minueto do ponto de vista formal porém com andamento ainda mais rápido. Assim como Haydn, também Mozart fez amplo uso do minueto em seus concertos - repletos da suavidade e graça peculiares de sua escrita musical.
Com a Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes em mente, não é difícil imaginar a entrada leve dos pares de nobres, fazendo reverências mútuas e ao rei, numa expressão máxima do esplendor cerimonial da corte, através da graça, solenidade e expressão dos sorrisos. Com esta imagem fica fácil entender o porquê do minueto ser chamado "música do respeito" - a música das pessoas que "se sent", nas palavras do filósofo Saint-Simon, numa alusão à respeitabilidade do que se é.
Enquanto "música do respeito" encontrou em Luis XIV - o rei sol, patrono das artes e ele próprio tido como excelente bailarino - um admirador devotado. Uma ótima oportunidade para conferir esta relação é assistir ao filme Le Rois Danse (França, 2000, dirigido por Gérard Corbiau). Um extrato de 3 trechos de dança do filme pode ser conferido no youtube.
A lista de belas composições em forma de minueto é longa, mas qualquer que seja a seleção, na minha modesta opinião algumas peças não podem faltar:
- o Minueto do Concerto de Brandenburgo No. 1, de Johann Sebastian Bach, publicado em 1718
- o Minueto do Quinteto de Cordas Op. 13, Nr 5, G. 275, de Luigi Boccherini ,publicado em 1775 - este considerado por muitos "o" minueto dos minuetos
- os Minuetos erroneamente atribuídos a Johann Sebastian Bach com índices BWV 113 a 116. Registrados para a posteridade no Notenbüchlein für Anna Magdalena Bach são respectivamente: 113 e 116 de autor desconhecido; 114 e 115 de Christian Petzold
- dentre as muitas joias escritas na forma de minueto por Franz Joseph Haydn, o da Sinfonia Nr 100 em G maior, "Militar", publicada em 1793
- o terceiro movimento da Serenata em G maior, K. 525 "Eine kleine Nachtmusik", e o terceiro movimento da Sinfonia dos Brinquedos, ambos de Wolfgang Amadeus Mozart
- o Minueto em G maior, Op. 10, Nr 2, de Ludwig van Beethoven
- o Minueto da Sonata para violão em C maior, Op. 22, Nr 3, de Fernando Sor (minha favorita na interpretação do inglês Julian Bream)






