quinta-feira, dezembro 12, 2013

Jetzt geht's los - ou em bom português "Agora vai!" :)

Ich arbeitete in diesem Jahr für ein paar Monate in Blumenau. Blumenau liegt im Süden Brasiliens und hat eine interessante deutsche Bürgerschaft. Ich lernte dort über die "Nereu Ramos" Radio und seines Radioprogramm "Jetzt geht' los", in dem kann man Nachrichten und Musik aus Deutschland hören.
Ein modernes Deutschland ist jeden Samstag von 12 Uhr präsentiert. Das ist ein spezielles Radioprogramm, um das Jahr der Deutschland in Brasilien zu feiern. Wenn Sie Lust zu hören haben und mehr über die moderne Deutsch-Musik lernen, finden Sie hier die Internet-Addresse des Radioprogrammes. Viel Spaß! :)

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Trabalhei este ano por alguns meses em Blumenau. Blumenau fica no sul do Brasil e tem uma interessante comunidade alemã. Aprendi lá sobre a Rádio Nereu Ramos e o programa "Jetzt geht's los"- algo como "Agora vai", em português - no qual é possível ouvir músicas e notícias da Alemanha. Todo sábado às 12h uma Alemanha moderna é apresentada. Trata-se de um programa de rádio especialmente criado para celebrar o Ano da Alemanha no Brasil. Se quiser ouvir e conhecer mais sobre a moderna música alemã, segue aqui o endereço do programa. Divirta-se! :)

quarta-feira, dezembro 11, 2013

Christmas gift by the Berliner Philharmoniker - until Dec 12, 2013

It's almost Christmas... and once again time for the traditional Christmas' competition at the Berliner Philharmoniker. This year of 2013 they are offering 3 copies of a recent magnificent recording of The Magic Flute. All you have to do is answer to 3 quite easy questions about this opera and click submit.
Now, you are not going to miss the opportunity to win, right? Access the contest page here.
Need a help to answer the questions? There you go the answers...

  1. Year of première of the opera: 1791
  2. Who wrote the libretto: Emanuel Schikaneder
  3. What influenced the libretto: Freemasonry
But remember: you have only until Dec 12, 2013 to join!

Good luck! :)

quarta-feira, outubro 02, 2013

Concertos Especiais OSESP via internet com Nelson Freire

Oportunidade para você que não estará na Sala SP nesta quinta-feira 3/out: a Série Concertos Especiais da OSESP traz um programa muito interessante, com a orquestra da casa, o solista Nelson Freire, a regente titular Marin Alsop, e uma oferta já não mais tão nova embora sempre bem-vinda - transmissão ao vivo via internet!

Das peças escolhidas para o programa - uma Fantasia sobre o Hino Nacional (Clarice Assad), o Concerto para Piano no. 4 de Beethoven (Op. 58), e a 5a. Sinfonia do russo Prokofiev (Op. 100) - estou bastante interessada em ouvir a primeira, e de antemão ansiosa para ouvir a interpretação de Nelson Freire para a peça do Beethoven! Para conhecer mais sobre as obras, recomendo as notas de programa disponíveis no site da OSESP.

O concerto será transmitido à partir das 20:45 e se inicia às 21:00. Se você nunca assistiu a uma transmissão online da OSESP, é sempre bom se planejar para estar conectado com alguns minutos de antecedência para o caso se ser necessária alguma instalação de software no seu computador. Ou se tiver oportunidade, sempre vale a dica de tentar assistir a um concerto gravado para testar a infraestrutura com antecedência: basta acessar o site a qualquer momento.

É isso. Bom concerto! :)


Programa - Série Concertos Especiais
3/Out/2013  21:00


Clarice ASSAD
Terra Brasilis - Fantasia sobre o Hino Nacional Brasileiro

Ludwig van BEETHOVEN
Concerto nº 4 Para Piano em Sol Maior, Op.58

Sergei PROKOFIEV
Sinfonia nº 5 em Si Bemol Maior, Op.100

sexta-feira, setembro 13, 2013

Musik und Komödie in der Berliner Philharmoniker! :)

Hier ist unser erst Beitrag auf Deutsch! Heute schenke ich euch ein Video, in dem wir Musik und Komödie finden. Das Video ist ein wahres Schmuckstück: es bringt den vielseitigsten deutschen Humorist Loriot und die Berliner Philharmoniker. Das Video heißt "Loriot dirigiert die Berliner Philharmoniker". Kennt ihr schon Herr Loriot? Dann nehmt ihr Plätze und schaut mal das Video hierunter. Viel Spaß! :)

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Aqui vai nosso primeiro post em alemão! Hoje presenteio vocês com um video sobre música e comédia. O video é uma verdadeira joia: traz o multifacetado humonista alemão Loriot e a Filarmônica de Berlim. O video se chama "Loriot dirige a Filarmônica de Berlim". Vocês já conhecem o Loriot? Então, acomodem-se e assistam o video aqui abaixo. Boa diversão! :)

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Here goes our first post in German! Today I give you a video about music and comedy. The video is a real gem: it brings the versatile german comedian Loriot and the Berlin Philharmonic. The video is called "Loriot conducts the Berlin Philharmonic". Do you already know Mr. Loriot? So, take your seat and watch the video hereunder. Have fun! :)


sexta-feira, julho 05, 2013

Tudo pode ser Música - A Jornada

Estes últimos meses viram muitas mudanças e novidades aqui no meu território. Novos objetivos, novas ideias, novos experimentos. Uma das ideias que, desde havia muito na gaveta, começou a tomar forma recentemente, é a proposta de se rabiscar um material de suporte para conversar, ouvir e trocar impressões sobre música ocidental. Com prazer, comunico que este desejo hoje já tem nome e sobrenome: o primeiro capítulo do que virá a ser o "Tudo pode ser Música", tratando da música medieval e da renascença.

Mas deixe-me contar mais sobre este projeto. Ouvinte entusiasta de música de concerto - nem sei precisar desde quando, sei apenas que desde muito pequena - passei boa parte de minha vida até aqui aprendendo, ouvindo e me relacionando com tudo o que está no entorno da música: compositores, estilos, repertório, história, filosofia, literatura, biografia, músicos e interpretações. Mantenho este blog, coleciono repertório e até programo minhas férias em função das temporadas de salas de concerto! No meu entorno, todos reconhecem e, para minha felicidade, me procuram para conversar sobre música - meu assunto favorito.

Em várias ocasiões, durante uma boa conversa, surgiu a ideia de compilar algumas coisas para compartilhar com os amigos - alguns já mais experimentados, mas a maioria iniciante no assunto. O que pode ser mais agradável para um entusiasta do que compartilhar o que coleciona sobre o tema de seu interesse mais genuíno?

Apesar da natureza recorrente, a ideia sempre voltava para a pilha e acabou sendo guardada naquela caixinha "prioridade para quando o tempo permitir". Mas com a vida a gente aprende que "depois é um tempo que não existe". E na primeira oportunidade, providenciei para que o tempo "permitisse" e aqui estamos nós.

A escolha do primeiro grupo aconteceu entre os amigos mais próximos e que gentilmente se dispuseram a abrir mão da noite de uma segunda-feira fria para enfrentar o trânsito da cidade e chegar ao ponto de encontro. Falamos sobre música medieval, e durante a conversa, sobre muitas outras percepções do entorno dos 1.000 anos de história envolvidos no período que se convencionou considerar Idade Média. No próximo encontro, começaremos a conversar e ouvir sobre o Barroco.

E falando sobre a aventura com um outro amigo, igualmente interessado em música de concerto mas que não tomou parte no grupo inicial, já surgiram outras ideias de locação e abordagem para uma próxima "turma".

A ideia era criar "comunidade", reunir as pessoas para compartilhar e conversar e ouvir música. E quem sabe ajudá-las a compreender e navegar melhor pelos programas não apenas de nossas salas de concerto, mas também de nossas salas de câmara, grupos vocais e rádios especializadas - fazer escolhas mais qualificadas. E, oxalá, aprender um pouco mais para poderem fazer suas próprias escolhas e caminhos pelo inesgotável e fascinante mundo da música.

Não decidi ainda a melhor forma de publicar os materiais que estou preparando para estas sessões, mas certamente pretendo começar a publicar aqui prontamente, algumas dicas e materiais extras, quase todos eles disponíveis online.

É isso. Mais em breve! Por enquanto, deixo meu especial "obrigado" aos amigos que participaram da primeira sessão e fizeram isso tudo ser possível!

terça-feira, junho 11, 2013

Frühstück mit Herr Mozart!

Herr Mozart analisando a qualidade da
execução de suas peças em meu Yamaha Clavinova.
Foto: Sheila M.
O post de hoje é apenas uma brincadeira. Uma brincadeira para registrar a chegada, aqui em território LesAmis, da miniatura mais apropriada de todos os tempos: Wolfgang Mozart, ele próprio, vestido à caráter não apenas para o chá da manhã, mas especialmente para apreciar a execução de algumas de suas obras primas que são tocadas religiosa e diariamente por aqui enquanto trabalho.

Capa da edição inglesa de Coffee
with Mozart, de Julian Rushton (2007)
A propósito, a referência me fez lembrar do livro que traz um diálogo fictício num café em Viena, desenhado para ter acontecido durante um chá da tarde onde o compositor recebe um visitante inglês, alguns dias antes de sua morte, ocorrida em Novembro de 1791. Apesar de fictício, o diálogo é baseado em dados bibliográficos reais do compositor, e passa por fatos marcantes de sua vida e obra, seus relacionamentos sociais, e crenças políticas e religiosas.

Não fosse pelo diálogo fluido e repleto de fatos interessantes, o livro vale ainda pela bela declaração de amor ao trabalho do mestre, nas palavras do compositor britânico Sir John Tavener, registradas no Prólogo.

É isso por hoje. Aproveite seu dia e reserve um espaço na agenda para apreciar aquela uma obra do compositor que primeiro tem vem à mente quando o assunto é Mozart!

quinta-feira, junho 06, 2013

Melhores orquestras do mundo

Royal Concertgebouw Orchestra (Amsterdan)
Buscando algumas referências para embasar um tema que pretendo abordar lá no ThinkingBiz - para quem ainda não conhece, o meu blog de estratégia e sustentabilidade - me deparei com uma lista publicada pela Revista Gramophone inglesa, em 2008, com o resultado de uma análise de qualidade que, envolvendo 11 críticos especializados de 7 países, chegou uma lista das melhores orquestras do mundo.

Mais do que a grata felicidade que um aficcionado sente ao descobrir que já teve a oportunidade de apreciar concertos de algumas das orquestras listadas, como brasileira, fiquei ainda mais feliz com o fato de a nossa OSESP (a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) ter sido mencionada entre as 3 indicadas como emergentes (up and coming), ao lado da Royal Liverpool Philharmonic e China Philharmonic Orchestra.

É bem verdade que desde 2008, ano em que John Neschling (atual Diretor Artístico do Theatro Municipal de São Paulo), ainda reinava como Diretor Artístico e Regente Titular da OSESP, e à frente de gravações internacionalmente premiadas (5 Diapason Dor's e mais um grammy latino), muita coisa mudou na OSESP inclusive a direção - Neschling foi demitido por razões meramente políticas em 2009, e desde então a orquestra teve novo Diretor Artístico e uma grade móvel de regentes (nenhum brasileiro, vale mencionar).

Mas voltemos aos primeiros colocados da lista da Gramophone. Veja a matéria original para a lista completa dos 20 classificados.
  1. Royal Concertgebouw Orchestra (Amsterdan)
  2. Berlin Philharmonic
  3. Vienna Philharmonic
  4. London Symphony Orchestra
  5. Chicago Symphony Orchestra
A primeira e a quinta ainda estão fora da minha lista de programas realizados... A quinta deve permanecer por mais algum tempo, mas ao menos a primeira está na agenda próxima da Temporada 2013 da Sociedade de Cultura Artística aqui em São Paulo! Para os concertos na Sala São Paulo, os concertos já se esgotaram. A boa notícia é que eles farão um concerto ao ar livre no Parque do Ibirapuera - não é a mesma experiência, mas já vale como amostra grátis ;-)

Serviço:
CONCERTO AO AR LIVRE. Parque Ibirapuera
23 de junho, domingo, 11h
Programa:
ENESCU Rapsódia nº 1 (De: Rapsódias romenas, op. 11)
PROKOFIEV Romeu e Julieta (trechos)
STRAVINSKY O pássaro de fogo (trechos)
VILLA-LOBOS Tocata, “O trenzinho do caipira” (De: Bachianas brasileiras nº 2)
BIZET Farândola (De: L’Arlésienne, suíte nº 2)

terça-feira, junho 04, 2013

Conversar, ouvir, ovacionar. Tudo a seu tempo!

Créditos: cartunista Claude Serre.
Já tratamos aqui no LesAmis de um tema que anda permeando discussões nos quatro cantos do mundo ultimamente, a questão da "modernização" de algumas convenções do mundo da música de concerto para tornar o gênero mais atraente para os jovens.

Até me considero uma pessoa aberta para receber e sabatinar novas ideias mas por mais que eu entenda o que está em jogo, realmente não me convenci até o momento que a solução precisa necessariamente passar por liberalidades que possam incomodar a apreciação de uns em detrimento da expressão de outros.

Em publicações europeias tenho lido vários artigos interessantes sobre a matéria. E me chama atenção que as inovações que as salas de concerto vêm experimentando passam por soluções bastante mais moderadas do que tenho visto ser discutido por aqui. Mas então, como diria um grande amigo: por que não me espanto?

A Gramophone de maio passado, por exemplo, traz uma matéria interessante assinada pela jornalista e musicista Rebecca Hutter, que conta como foi sua experiência assistindo um dos concertos da série MusicUpClose cuja proposta é aproximar a audiência dos músicos e do regente, proporcionando a eles oportunidade de conversar sobre as obras, endereçar dúvidas e compartilhar experiências. Em resumo, os concertos desta série têm sessões para ouvir música e sessões para conversar sobre música.

Créditos: cartunista Gary Blehm
Notem que ninguém falou em conversar, aplaudir, ovacionar, etc, durante a execução das obras mas conversar, questionar, testar, compartilhar em momentos específicos entre as execuções. Pode parecer uma diferença pequena mas, acreditem ou não, é o norte da diferença de abordagens de soluções que tenho percebido nas discussões que tenho acompanhado por aqui (Brasil) e por lá (Europa).

Quem está habituado a frequentar ou já esteve pelo menos uma vez num concerto da OSESP na Sala São Paulo, sabe que chegando mais cedo na Sala pode participar do Falando de Música, onde se conversa sobre as obras do programa do dia, peculiaridades, contexto histórico e outras informações de interesse para o público. Particularmente, gosto muito deste serviço.

Note que, ainda que o formato atual do Falando de Música não inclua a presença e interação da audiência com os músicos, já representa um grande diferencial em relação ao formato tradicional da oferta de concertos, que no máximo inclui um programa e notas bem escritas.

Uma outra discussão que me atraiu a atenção foi uma enquete iniciada pelos Jovens Amigos da Filarmônica de Berlin, numa referência a um artigo publicado pelo Huffington Post. A autora defendia que a audiência deveria ser encorajada a aplaudir a qualquer momento como forma de reconhecer um bom desempenho da orquestra, e argumentou que no final do século XIX o público gritava, subia nas cadeiras, e se manifestava livremente, enquanto que hoje os jovens precisam se submeter às regras de etiqueta rígidas impostas desde então nas salas.

Quem ler as respostas da enquete, vai encontrar minha opinião registrada por lá em inglês, e publicada aqui a seguir numa transcrição para o português:

"Este assunto é realmente polêmico. Tentei rever minha primeira escolha, mas ainda não consigo me imaginar gostando da experiência difusa de ter pessoas que interagem com a execução a qualquer momento, enquanto ela está se desenvolvendo. Pode-se afirmar que é um comportamento esperado após anos apreciando concertos no formato tradicional. Mas, então, eu não consigo imaginar um melhor ambiente para que os músicos possam se concentrar e interagir - uns com os outros e com público - que não seja pela apreciação silenciosa da audiência. Entendo que isso pode não ajudar a atrair o público mais jovem, mas me pergunto se eles não deveriam ser educados para reconhecer e respeitar as diferenças - apreciar um concerto pode ser individual, mas como público o fazemos compartilhando um ambiente coletivo."

Longe de mim tentar esgotar a discussão. Mas, como comecei afirmando, acredito que a solução deve passar por abordagens mais moderadas, um meio de caminho entre os extremos. E você, o que pensa?

sexta-feira, maio 24, 2013

Digital Beethoven: Ave Deutsche Grammophon!

Lançado há poucas semanas pela gravadora alemã Deutsche Grammophon, o aplicativo Beethoven's 9th Symphony (em português, 9a. Sinfonia de Beethoven) foi para mim uma das surpresas mais interessantes dos últimos tempos quando o assunto é aplicativo de música de concerto para o mundo Apple (iPhone / iPad / iPod Touch).

Ele traz nada menos do que 4 legendárias interpretações da Sinfonia à frente da Filarmônica de Berlin:

  • A primeira gravação estéreo com o maestro Ferenc Fricsay (1958);
  • A aclamada gravação de Herbert von Karajan (1962);
  • A primeira gravação em video com Leonard Bernstein (1979);
  • E a gravação com instrumentos de época e o maestro John Eliot Gardiner (1992)
Enquanto a sinfonia é executada, é possível acompanhar através das partituras, beat maps ou comentários específicos. E tem ainda entrevistas com personalidades incluindo Gustavo Dudamel e John Eliot Gardiner, além da história da Sinfonia.

A versão gratuita do aplicativo traz todas as funcionalidades disponíveis para 2 minutos de música. Para ouvir a sinfonia completa, é preciso comprar a versão paga: US$ 7,99 para iPhone; US$13,99 para iPad (inclui a versão para iPhone).

E antes que alguém me pergunte, me adianto e já informo: o LesAmis não tem nenhuma relação comercial com a DG. Achei que valia a pena escrever este post para informar os ouvintes de música de concerto que passam por aqui. E porque realmente fiquei impressionada com a qualidade do resultado.

Esperemos que a parceria dê certo e que outras obras ganhem seu próprio espaço neste mundo digital. Vale a pena conhecer e ouvir, mesmo que seja apenas a versão gratuita.

Para baixar o aplicativo basta acessar a AppStore. Para ler esta notícia no website da DG basta clicar aqui.

quinta-feira, maio 02, 2013

Uma joia entre gigantes - A Sinfonia Nr 4 de Ludwig van Beethoven

O dia hoje começou cedo e já seguia, lamentavelmente, quase sem música quando recebo uma pequena joia gravada na minha querida Philharmonie em Berlim, em 27.ago.2010, sob a batuta do maestro Sir Simon Rattle. Na gravação, um belo trecho do primeiro movimento Allegro vivace, da injustiçada Sinfonia Nr 4 de Beethoven - afinal, não é mesmo das situações mais fáceis na vida de uma sinfonia ter nascido entre as gigantes Eroica (Nr 3) e Destino (Nr 5)!

Composta em Si Maior, em 1806, é completamente desprovida de motivos trágicos: leve, entusiasmada, uma verdadeira joia para o ouvinte apesar da dificuldade técnica (e física) que impõe aos músicos e em especial ao maestro. Não por acaso, tornou-se a escolha do grande Felix Mendelssohn-Bartholdy para sua estreia frente à Gewandhaus de Leipzig em 1835.

Aproveitem o trecho com a Filarmônica de Berlim, e tendo oportunidade e acesso à obra, fica o convite para ouvi-la em versão integral. Até a próxima!

domingo, março 17, 2013

Música clássica sem casaca. Mas sem educação?

Palco do Theatro Municipal
de SP. Foto: Sheila Maceira
Manhã de domingo, concerto interessante na agenda da Temporada 2013 do Theatro Municipal de São Paulo. Mozart e Bruckner desafiando a regência do grande Jamil Maluf e sua Orquestra Experimental de Repertório. A imensa fila na bilheteria do Theatro a menos de 10 minutos do início do concerto evidencia o apelo popular do prodígio de Salzburg muito embora o seu Concerto para Piano Nr 23 em Lá maior (KV. 488) não soe para mim como um dos carros-chefe de tamanha popularidade. Me explico: a obra em questão evoca muito mais sombras e contemplação do que a alegria e leveza típicas de outros concertos para piano do mestre.

Seja como for, a imensa fila também denuncia, para olhos mais atentos, uma certa falha na oferta de serviços da bilheteria do teatro: fila única e apenas uma cabine para venda de ingressos. Para quem opta por não pagar pela conveniência do ingresso via internet, talvez a medida da inconveniência esteja um pouco além do razoável em se tratando de um teatro municipal. Apenas mais um, na montanha de desafios a vencer pela gestão Herencia/Neschling.

Conseguir acessar e me acomodar nos assentos escolhidos foi a próxima batalha inglória. Para minha surpresa, praticamente TODAS as pessoas que ocupavam as cadeiras da plateia no entorno do meu lugar estavam fora de seus assentos comprados. Imagine o tumulto que isso gera para realocação num teatro de fileiras longas e estreitas, e a poucos minutos do início do concerto.

A próxima surpresa se revelou logo na sequência do início do concerto: nada menos do que 3 bebês na plateia. Sim, eu disse bebês - um deles bastante incomodado no colo da mãe na primeira fileira do teatro, bem em frente ao spalla (!). A Sala São Paulo recomenda idade mínima de 7 anos mas aparentemente o Theatro Municipal não compartilha do mesmo entendimento. Desnecessário comentar sobre as consequências de tal situação. Durante o intervalo, perguntei a uma das funcionárias sobre a política da casa para esta questão e ela me respondeu que bebês não são permitidos dentro da sala de concerto. Sinalizei que haviam pelo menos 3 naquela manhã e ela se limitou a repetir a regra. Não que eu esperasse uma atitude muito diferente do que esta num país que ocupa o penúltimo lugar no ranking da educação mundial.

Incontáveis foram ainda os incômodos e broncas direcionadas a pessoas na plateia fotografando, filmando, acessando seus relógios (com som), conversando e comendo. A obra de Bruckner, ao contrário do popular gênio austríaco, não é exatamente daquelas que se podem considerar de fácil consumo. E Jamil Maluf gentilmente conversou e explicou isso ao público presente antes do início da execução da Sinfonia Nr 6 em Lá maior do também austríaco Bruckner.

Me senti especialmente honrada de poder ouvir a obra em versão integral - coisa que o próprio compositor não chegou a fazer em seu tempo de vida, já que em sua estreia em Viena, em 1883, foram executadas apenas seus segundo e terceiro movimentos.

Confesso que, no meio do concerto, me peguei pensando sobre a discussão sempre difícil de convergir gregos e troianos, a respeito da "modernização" do ritual existente para ouvir música nas salas de concerto. Pensei nos que defendem maior flexibilidade, menor rigor formal e algumas outras sugestões até bem intencionadas e fundamentadas.

Mas igualmente pensei que esta discussão é irrelevante quando não se tem ao menos um pré-requisito fundamental: educação para se engajar no espetáculo de forma a participar sem perturbar. Pensei nas experiências que tive como plateia na Filarmônica de Berlin e no Barbican Hall, no Musikverein de Viena e no Metropolitan de Nova York - e mesmo por aqui no Cultura Artística e Mozarteum. Em geral, salas muito maiores do que a do Municipal de São Paulo, onde minha experiência pessoal de apreciação, mesmo quando com lotação completa, tem sido incomparavelmente melhor do ponto de vista de interação público/orquestra. Podemos até insistir na verborragia associada à tal música clássica sem casaca. Mas sem educação, a discussão parece não fazer sentido algum.


Serviço:
Orquestra Experimental de Repertório
Regente: Jamil Maluf
Piano solista: José Feghali
Programa:
W. A. Mozart: Abertura da Ópera "O Rapto do Serralho", KV. 384
W.A. Mozart: Concerto para Piano e Orquestra Nr 23 em Lá maior, KV. 488
Anton Bruckner: Sinfonia Nt 6 em Lá maior
Ingressos: R$20 a R$60 na Bilheteria do Theatro ou através da www.ingresso.com.br/prefeitura

Programação completa do Theatro Municipal de São Paulo disponível aqui.

sábado, março 16, 2013

Anderszewski: a volta do viajante intranquilo

A agenda de concertos da Temporada 2013 da Sociedade de Cultura Artística é mais uma pérola para a coleção da direção artística impecável que marca as temporadas da casa. Com intérpretes de grande expressão em sua programação, particularmente me encantei com o retorno do pianista polonês Piotr Anderszewski logo mais em julho.

Celebrado também aqui no LesAmis, em outubro de 2010 ganhou espaço num post que escrevi por ocasião da chegada de um dos filmes mais vistos da minha biblioteca particular: o Unquiet Traveler, documentário dirigido pelo francês Bruno Monsaingeon.

Serão dois concertos - 29 e 31 de julho de 2013 - com programa ainda em aberto e ingressos à venda a partir de 1 de julho. Se tiver interesse, um conselho: marque esta data em sua agenda e se programe para fazer a compra o mais rápido possível porque as apresentações dele costumam esgotar logo.

Aproveito aqui ainda a oportunidade para deixar uma preciosidade: um video do Anderszewski executando a peça que o fez notável em primeira mão, as Variações Diabelli de Beethoven (não o incorporo aqui no post porque o conteúdo é restrito para exibição no Youtube).

E aproveito também para compartilhar uma reflexão de Anderszewski sobre Brahms, contida no filme, e que em muito ajuda a entender a personalidade e atitude do próprio pianista polonês. Enjoy!

"The problem with Brahms is that you feel that he is already an interpreter himself - the interpreter of Bach, of Beethoven. Brahms is this purely masculine music, patriarcal. It's the music of iron resolve, of power of wood. A genious in his own way. It is music written by a young man who is already old. And Brahms remains a citadel, a citadel of classicism, of counterpoint, of precision. All the values that are close to my heart. When you love, you love the weaknesses and is touched by weaknesses. With Brahms there aren't many weaknesses. In fact, he is a perfect composer. It is that determination to be perfect that bothers me and perhaps I thought a lot about this. The thing that bothers me is that I think I am a bit like that myself." (Piotr Anderszewski)

domingo, março 03, 2013

Um Theatro Municipal para uma cidade como São Paulo

OSM e o regente convidado
Jader Bignamini.
Foto: Sheila Maceira

Manhã de domingo, boas opções em música de concerto para o ouvinte paulistano, escolho ver a Orquestra Sinfônica Municipal, que tem na agenda um programa interessante e longe do lugar comum - me desculpem a sinceridade - comparativamente com os demais.

Confirmada a disponibilidade de ingressos - algo raro no dia do evento em outras salas de concerto da cidade - e vencida a dificuldade de chegar ao Theatro que aos domingos agora tem acesso interditado em função das ciclofaixas (ainda que não tenha visto um único ciclista no trajeto desde a Biblioteca Municipal Mário de Andrade), felizmente teve início uma série de gratas surpresas.

Primeiro, o programa do concerto. E aqui não me refiro às obras senão que à forma: formato, qualidade gráfica e de conteúdo, comparáveis com os programas da OSESP. Primeiro e inconfundível sinal da administração John Neschling.

Detalhe do vitral da porta de
acesso às varandas externas
do Theatro Municipal de São
Paulo. Foto: Sheila Maceira
Depois, o programa do concerto: e agora sim me referindo ao conteúdo. Duas obras do compositor musicólogo italiano Ottorino Respighi, cuja produção curiosamente tive o prazer de conhecer há alguns anos justamente com a OSESP do John Neschling, na época seu Diretor Artístico, que executou brilhantemente a bela obra sinfônica I Pini di Roma. Na sequência do programa, a belíssima Scheherazade (Op. 35) do compositor russo Nikolai Rimsky-Korsakov, de quem Respighi por sinal foi aluno.

Uma grata surpresa à parte foi a regência leve, precisa e muito carismática do maestro italiano Jader Bignamini, que mais parecia um local, dado o nível de entrosamento com a OSM e com o público. Com um currículo brilhante, o italiano deu um toque especial na execução da obra de seu conterrâneo.

A agenda 2013 do Theatro Municipal de São Paulo está recheada de bons programas, com grandes nomes entre os intérpretes e regentes convidados, além da OSM, OER e Coral Lírico da cidade.
Vale a pena conferir e prestigiar. Finalmente, parece que aos poucos nós paulistanos e todos que por aqui circulam, vão ganhando de volta um Theatro Municipal à altura de uma cidade como São Paulo.


Serviço:
Orquestra Sinfônica Municipal
Regente: Jader Bignamini
Programa:
O. Respighi: Suite do balé “La boutique fantasque” Op. 120
O. Respighi: “Fontane di Roma”
N. Rimsky-Korsakov: “Scheherazade”, op. 35
Ingressos: R$20 a R$60 na Bilheteria do Theatro ou através da www.ingresso.com.br/prefeitura

Programação completa do Theatro Municipal de São Paulo disponível aqui.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Happy birthday, Daniel!

Flowers to Daniel.
Photo: Sheila Maceira
The date was November 15th and the Charity Concert was planned to support the Berliner Music Kindergarten. Under the attentive conduction of Mr. Zubin Mehta - a longtime friend of - the piano soloist Daniel Barenboim, and the Staatskapelle Berlin completing the high level cast for the special event.

One German première for the piece "Dialogues II", written by the american composer Mr. Elliot Carter - a clear tribute for a great man and artist that recently passed out in New York. But even more: the Piano Concerto #3 in C-minor, Opus 37, by the german Ludwig van Beethoven, and the Piano Concerto #1 in B-minor, Opus 23, by Peter Illyich Tschaikowsky. What a night!

Not a single seat left in the main concert room of the the Berliner Philharmonie. A great, silent and attentive audience ready to take off with the orchestra. Suddenly, someone initiates singing a song that is rapidly accompanied by the crowd: "Happy birthday to you, happy birthday to you...". That was more than a special charity concert night, that very night in fact celebrated Daniel Barenboim's 70th birthday!

This concert was part of a couple of concerts intended to celebrate Mr. Barenboim's birthday with his musical colleagues from a lifetime. And I have had such a premium privilege to be in Berlin, to have got tickets, and to have taken part of this remarkable night. The birthday was his but gifts were made available by himself and his music friends, not only by delivering the great concert programme but still in each and every of the 3 petit cadeaus (bis) that followed. In the best possible sense of the expression, a night to remember!

sexta-feira, setembro 21, 2012

Questões Não Respondidas em Música - por Leonard Bernstein

Buscando um material de curso em Harvard estes dias cheguei sem querer a uma preciosidade: uma série de 6 aulas ministradas por ninguém menos do que o aclamado regente, compositor e escritor norte-americano Leonard Bernstein, nos idos de 1973, para uma turma de alunos num curso de inverno em Harvard.

A série - coletivamente denominada "A Questão Não Respondida", uma tradução livre para o original em inglês "The Unanswered Question" - trata basicamente do tema música, mas o faz passeando livremente entre poesia, linguística, filosofia e física. São nada menos do que 11h de video disponíveis via Youtube!

Infelizmente, os videos estão disponíveis apenas com áudio original - em inglês - e sem legendas. A parte boa é que a pronúncia do Bernstein é muito clara e pausada, mas ainda assim, pode não ser acessível para quem não tem muita intimidade com o idioma.

A primeira aula segue aqui abaixo. A partir dela, no Youtube, é possível acessar as demais. Este material foi disponibilizado pela Escola de Música de Harvard, e faz parte do conjunto de cursos online que a escola oferece gratuitamente. É isso: boa aula! :)

terça-feira, junho 19, 2012

80 anos do pianista Gilberto Tinetti

Muitos já escreveram bons artigos para celebrar o aniversário do mestre pianista Gilberto Tinetti, que neste 2012 completa 80 anos de vida. Justas homenagens lhe tem sido prestadas - Rádio Cultura FM de São Paulo, blogs da mídia musical, e tantos outros - e o LesAmis não poderia deixar passar em branco.

Paulistano de natureza, advogado de formação, pianista, professor e revelador de talentos, dono de uma brilhante e respeitadíssima biografia musical e divulgador do piano no Brasil - a voz e a paixão por trás do "Pianíssimo", que a Rádio Cultura FM de São Paulo leva ao ar há 25 anos ininterruptos!

Para quem ainda não teve oportunidade de conhecer o trabalho do intérprete, vale explorar um pouco na seção de música de concerto da loja de sua preferência e conferir algumas preciosidades publicadas no youtube. Deixo aqui como presentinho um trecho do Adagio da Sonata Patética de Beethoven, e dA Valsa do Adeus de Chopin, além de alguns depoimentos interessantes do pianista.



Para quem está em São Paulo capital fica a dica para apreciar o recital que ele realizará amanhã 20/Jun no Teatro Cultura Artística de São Paulo, unidade Itaim. No programa, peças conhecidas de Beethoven, Brahms e Debussy. Mais informações no website do Teatro.

Vamos ao teatro?

quinta-feira, maio 31, 2012

Lady Macbeth rouba cena em produção no Royal Opera House

A estória gira em torno da casa real escocesa, mas nesta versão de Elaine Padmore (direção de ópera) e Antonio Pappano (direção musical), o brilho ficou por conta da belíssima interpretação da ucraniana Liudmyla Monastyrska, no papel da Lady Macbeth.

Para quem não conhece, Macbeth é uma ópera em quatro atos, escrita pelo jovem compositor italiano Giuseppe Verdi, e estreada na Itália mais tarde, em1847. Apesar de na época tê-la considerado sua melhor ópera, Verdi seguiu por anos implementando ajustes e revisões em sua obra, até a estreia em Paris em 1865. Ao lado de Don Giovanni e La Sonnambula, entre outras, Macbeth faz parte das óperas mal-assombradas, por assim dizer, onde personagens assassinadas aparecem e atormentam a vida terrena de seus assassinos.

A ópera se baseia na estória de Macbeth, escrita por William Shakespeare, e fala sobre o poder e os meios dos quais nos valemos para obtê-lo e mantê-lo. É uma estória antes de mais nada repleta de estratagemas e sangue, além de profecias e bruxas.

A versão apresentada esta semana no Royal Opera House do Covent Garden de Londres esteve mais alinhada com a versão de 1865. Além do espetacular desempenho do soprano no papel de Lady Macbeth, o coro do The Royal Opera - que tem um papel de destaque na ópera - foi outra grata surpresa. Na minha modesta opinião, o desempenho do coro foi bastante além do papel musical que lhe cabe, e excedeu as expectativas no quesito representação, algo muito bem-vindo dado o conteúdo dramático da estória.

E para fechar creio que vale parabenizar o projeto da rede Cinemark, que em sua temporada 2012 ofereceu para nós brasileiros grandes produções em ópera e ballet, gravadas ao vivo no Royal Opera House de Londres, com legendas em português e comentários do crítico Marcel Gottlieb, durante os intervalos. Vida longa ao Projeto! :)

sexta-feira, abril 13, 2012

Quem se importa!

Dando sequência à retomada de atividades nos meus blogs, chego aqui ao Les Amis para divulgar uma notícia bem interessante: estreia hoje em São Paulo e no próximo dia 20 no Rio, o longa Quem Se Importa, com direção de Mara Mourão. O filme teve sua premiere mundial em Harvard e já tem na agenda uma exibição especial na Universidade de Columbia e numa conferência em Paris.

O documentário é um manifesto com ambições educativas e através de entrevistas com grandes nomes do empreendedorismo social do planeta, destaca projetos de sucesso em vários países incluindo Brasil, Estados Unidos, Tanzânia, Suiça, Peru e outros.

Para quem não conhece ou não associou, Mara Mourão é a mesma de Doutores da Alegria, lançado em 2005. Em São Paulo, o filme está em cartaz nos espaços Reserva Cultural e Itaú Frei Caneca neste final de semana, e sua permanência na agenda destes cinemas depende do público que for gerado entre 13 e 15 de abril - portanto, fica o convite!

Além de assistir o filme, fica ainda a recomendação para explorar seu website que traz bastante conteúdo interessante, incluindo uma seção específica para escolas com guias para orientar o debate na exibição escolar, ficha dos empreendedores sociais com trechos de entrevistas e alguns sites bacanas sobre empreendedorismo social.

Ótima pedida para o fim de semana na capital. Vamos ao cinema? :)

domingo, janeiro 02, 2011

2010 em revista: os 6 mais acessados no LesAmis

Feliz Ano Novo, caros amigos da música! Para quem está, como eu, passeando pela net neste domingão pós-reveillon, aproveite para conferir os 3 posts mais acessados aqui do LesAmis durante 2010. Lá vão eles:

#3 O Pedro e o Lobo do Bernstein (Ago/2010). Uma pequena crítica entre os top-3: de longe minha gravação preferida do clássico conto musicado por Prokofiev, Pedro e o Lobo. Muitos vivas pelo posto entre os 3 mais de 2010!

#2 Sobre a Comédia Infernal e o Poder da Ópera (Out/2010). Grande sucesso de crítica e público, a Comédia Infernal de John Malkovich foi uma das grandes pérolas do teatro de ópera de 2010. E como não associar histórias de crime com a ópera? Cada soprano, uma vítima. Novamente, fiquei contente de ver este post entre os top-3 e espero que os leitores tenham curtido a montagem dA Comédia Infernal tanto quanto eu.

#1 Il Barbieri di Siviglia numa divertida compilação (Fev/2010). Ah, Rossini... apelidado "Il Todeschino" (o alemãozinho) por sua declarada veneração ao grande Mozart. Fiquei contente de ter este post entre os mais acessados, afinal, além da música que fala por si, o cartoon é muito bacana - e particularmente me lembrei bastante dele durante 2010, com a montagem multimídia dO Barbeiro, pela Companhia Brasileira de Ópera do maestro John Neschling.

Entre os labels, o ranking dos 3 mais ficou assim:
#3 J. S. Bach
#2 Ópera
#1 Mozart

É isso aí. Se você perdeu algum, é uma boa oportunidade para conferir os campeões de audiência. 2011 tem muito mais música para ouvir, conversar, opinar e compartilhar! :)

domingo, dezembro 26, 2010

minueto: a "música do respeito"

Tema recorrente em algumas conversas interessantes recentes, estou já há algum tempo para compartilhar o pouco que sei sobre minuetos. Minueto é um verbete exclusivo do jargão musical. Acredita-se que sua etmologia esteja relacionada aos pas menus, ou seja "passos diminutos" com os quais é dançado. Escrita em compasso 3/4, consiste de uma dança elegante e graciosa de origem francesa: uma dança da sociedade por excelência, com etiqueta coreográfica própria, exigindo equilíbrio, controle e graça.

Incluída numa ópera de Jean-Baptiste Lully em 1673, rapidamente ganhou a corte de Luis XIV, e com ela a sociedade europeia, chegando a se tornar a rainha das danças nos palácios e palcos, do barroco a fins do século XIX.

Como forma de dança, é essencialmente cortesã como foram as também barrocas giga e sarabanda. Do ponto de vista musical, sua importância histórica advém do fato de ter sido a única forma usada não apenas nas suítes do barroco, mas em sinfonias e outras grandes obras instrumentais. Adorada pela nobreza afeita ao mecenato, tornou-se hábito entre os compositores da música de concerto da época, incluir minuetos em suas sinfonias e peças da música de câmara.

Entre os grandes nomes, Haydn foi o primeiro a usá-lo numa sinfonia. Em suas sonatas, o minueto passou a substituir o movimento mais lento. Ao contrário do costume da época, Haydn os compôs em andamento mais rápido - numa espécie de antecipação a Beethoven, que mais tarde veio a transformar o minueto em scherzo: um minueto do ponto de vista formal porém com andamento ainda mais rápido. Assim como Haydn, também Mozart fez amplo uso do minueto em seus concertos - repletos da suavidade e graça peculiares de sua escrita musical.

Com a Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes em mente, não é difícil imaginar a entrada leve dos pares de nobres, fazendo reverências mútuas e ao rei, numa expressão máxima do esplendor cerimonial da corte, através da graça, solenidade e expressão dos sorrisos. Com esta imagem fica fácil entender o porquê do minueto ser chamado "música do respeito" - a música das pessoas que "se sent", nas palavras do filósofo Saint-Simon, numa alusão à respeitabilidade do que se é.

Enquanto "música do respeito" encontrou em Luis XIV - o rei sol, patrono das artes e ele próprio tido como excelente bailarino - um admirador devotado. Uma ótima oportunidade para conferir esta relação é assistir ao filme Le Rois Danse (França, 2000, dirigido por Gérard Corbiau). Um extrato de 3 trechos de dança do filme pode ser conferido no youtube.

A lista de belas composições em forma de minueto é longa, mas qualquer que seja a seleção, na minha modesta opinião algumas peças não podem faltar:
  • o Minueto do Concerto de Brandenburgo No. 1, de Johann Sebastian Bach, publicado em 1718
  • o Minueto do Quinteto de Cordas Op. 13, Nr 5, G. 275, de Luigi Boccherini ,publicado em 1775 - este considerado por muitos "o" minueto dos minuetos
  • os Minuetos erroneamente atribuídos a Johann Sebastian Bach com índices BWV 113 a 116. Registrados para a posteridade no Notenbüchlein für Anna Magdalena Bach são respectivamente: 113 e 116 de autor desconhecido; 114 e 115 de Christian Petzold
  • dentre as muitas joias escritas na forma de minueto por Franz Joseph Haydn, o da Sinfonia Nr 100 em G maior, "Militar", publicada em 1793
  • o terceiro movimento da Serenata em G maior, K. 525 "Eine kleine Nachtmusik", e o terceiro movimento da Sinfonia dos Brinquedos, ambos de Wolfgang Amadeus Mozart
  • o Minueto em G maior, Op. 10, Nr 2, de Ludwig van Beethoven
  • o Minueto da Sonata para violão em C maior, Op. 22, Nr 3, de Fernando Sor (minha favorita na interpretação do inglês Julian Bream)
E para fechar, compartilho aqui minha seleção de minuetos, como petit cadeau de Natal... para apreciar sem moderação! :)